terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

E já que o ritmo é samba...

Zeca Pagodinho na Gafieira

Vocês querem curtir um CD / DVD primoroso? Vão nessa dica porque na gafieira, o baile não segue calmamente. O motivo do alvoroço não é um pé subindo e alguém indo de cara no chão. Muito pelo contrário. O salão está cheio de alegria, de júbilo, de felicidade. O clima é de comemoração. Pintou no pedaço, de terno branco e piso novo, o grande Zeca Pagodinho. Veio revitalizar, com seu inesgotável poder de criação, um gênero subestimado. Os trompetes dos mestres Gesiel, Jessé, Flávio e Nelsinho tiram a surdina, mas não para abafar encrenca. Os sopros da banda soam como clarins dando boas-vindas a um raríssimo artista brasileiro, irredutível em seus princípios e convicções. Somem a esses sopros divinos os fôlegos finíssimos de Dirceu Leite, Zé Canuto, David Ganc, Zé Bigorna, Vitor Motta, Henrique Band, Zeca do Trombone , Aldivas Lima, J.L. Areas, Bocão, Leandro e Carlos Vegas.

Sem favor algum, Zeca Pagodinho é uma espécie de herói nacional, verdadeiro, sujeito-hômi, amado pelo povão porque veio de seu seio, amigo dos amigos, e porque não se deixou contaminar, graças a sua incorruptível modéstia, pelo Complexo de Pavão que afeta muitos daqueles que ascendem ao estrelato.

Só num detalhe a situação é parecida com aquela outra, descrita no samba clássico: o moço que chegou é faixa-preta em ginga, malemolência, jogo de cintura, e, acima de tudo, honestidade.

Sob a batuta do Maestro Paulão, assessorado por arranjos e regências Leonardo Bruno, Ivan Paulo, Lincoln Olivetti, Julinho Teixeira, Victor Santos, J. Moraes, Humberto Araújo, Cristovão Bastos e com a supervisão atenta do catedrático Rildo Hora, a orquestra ajuda Zeca Pagodinho a consagrar definitivamente grandes compositores brasileiros, fechando a matraca dos pessimistas de plantão que insistem em ver nossa música em baixa. Como pode estar em baixa a música se ouvimos, enlevados, com a participação Especial da Velha Guarda da Portela, “Lenço”? A Universal Music está de parabéns.

Clássicos feito “Beija-me”, “Pisei num despacho”, “Tive Sim”, dos nossos pais Roberto Martins, Mário Rossi, Elpídio Vianna, Geraldo Pereira e Cartola unem-se ao que o samba tem de mais belo e criativo no momento. Aí, sangue bom é injetado nas veias dos pés-de-valsa, o sangue dos puros-sangues Serginho Meriti, Roberto Lopes, Alamir, Claudinho Guimarães, Dudu Nobre, Wilson Moreira, o incrível Barbeirinho, Marcos Diniz, Luis Grande, meu cumpadi Luiz Carlos da Vila, Moacyr Luz, Canário, Nilo Penetra, Zé Roberto, Jorge Aragão, Arlindo Cruz, Acyr Marques, o já imortal Monarco, Francisco Santana. Parece a Seleção Brasileira de 70. Se o Parreira tivesse convocado os caras acima, a tal da sexta estrela estava no papo.

O samba é servido quentíssimo. Pudera. Na cozinha, quem está mandando ver no tempero das iguarias são os chefs Gordinho, Maia, Ura, Jaguará, Felipe D’Angola, Braga, o mago Esguleba, Macalé – tudo marinado pela base, e bota base nisso!, do piano de Alfredo Galhões, do 7 cordas de Rogério Caetano, Mestre Paulão no de 6, o bandolim de Marcílio Lopes, o baixo de Luis Louchard, cavacos de Paulinho “Galeto” e Mauro Diniz, a bateria de Jorge Gomes. Com esse plantel, até aqueles que Dorival Caymmi chamou de “ruins da cabeça e doentes do pé” querem rebolar.

No DVD, um brinde padrão-ouro: a participação histórica e bem-humorada do campeão Miltinho (Foi assim...).

Olha o Zeca Pagodinho aí, gente!

Como no samba já citado, quem está fora quer entrar, nem que seja subindo pelas paredes, quem está dentro não quer sair de jeito nenhum.

Que o Deus brasileiro, que é moreno e gosta de pagode, proteja o Zeca e resguarde o tesouro que ele representa pra nós.

E vamos tirar as damas pra dançar, sem pisar no pé nem na bola, porque o baile não pode parar. Estamos reunidos e unidos nessa Gafieira do Zeca, onde o samba de hoje é o samba de todos os tempos, o samba eterno.

Nova Era é nome de farmácia.

Aldir Blanc

11 comentários:

Maurício Meireles disse...

Aldir,

não sei por que, mas não tô conseguindo ler esse post. Ele fica "cortado" à direita, com palavras e letras sendo cortadas por uma margem invisível. Tentei com dois navegadores, o Explorer e o Firefox e fica na mesma.

O problema é só aqui?

abraço

Arnaldo disse...

Excelente dica.

Com uma turma dessa, o DVD/CD seria bom até mesmo com a tecla PAUSE acionada.

O Zeca Pagodinho é um dos poucos que não se deslumbraram com o sucesso e nem se renderam aos afagos da grande midia.

David da Silva disse...

pô, Aldir!
Me bateu agora saudade sabe do quê?
"Antonieta no booggie no tango, no mambo, jambo ou chá-chá-chá..."
O Zeca tem de gravar esta numa próxima!
Maurício [morre o homem, fica a chama] ia gostar, nénão?

(desculpe se houver duplicata no envio. A máquina tá meia doida hoje, e mandei duas mensagens só pra garantir)

Waldir disse...

Grande Aldir, vc podia comentar tbém a outra empreitada recente do grande Zeca, a Cidade do Samba.

B. disse...

David:
Por coincidência, hoje mesmo falei no Maurício, no Paulo Emílio e nos caras que não têm ressaca. Morreram todos.
Obrigado pela força e espero que vc tenha gloriosas ressacas. É fácil de sair: gelo, Engov, Sal de Andrews, e a firme determinação de tomar outra.
Abração do Aldir

B. disse...

Waldir:
Grande sugestão.
Vou procurar me informar melhor porque tive um problema de micro cirurgias na boca que enchem o saco - e o copo.
Abraço amigo,
Aldir

B. disse...

Maurício,
Não identifiquei problemas em nenhuma das 3 máquinas onde testei... =( Mas republiquei mesmo assim pra tirar a dúvida.
Abraço,
Mariana (filha abnegada, RP, Editora-Chefe e Suporte técnico).

Coryntho Baldez disse...

Mariana, deu pra ler o texto, mas também tive o mesmo problema do Maurício...

Aldir, você sabia que o Zeca se recusou a encenar uma roda de samba na fictícia "Portelinha", escola de samba da novela da Globo? Disse que não iria compactuar com a ideologia fascista das milícias divulgada na novela...Achei do cacete!

Este seu admirador espera apenas que você escreva mais aqui neste espaço...

Abraços,
Coryntho Baldez

poeta de manaus disse...

o texto está sendo cortado à direita por conta do tamanho da fonte (12) e do tipo de letra (verdana?), que é mais gordinha. se for mudado pra times new roman ou diminuir pra corpo 11, o problema desaparece. mãos à obra, mariana!

iglucadorno disse...

Ouvindo o "Vida Noturna":

A voz grisalha, um tanto rouca,um tanto gralha, quando chama, no meu peito, queimo fácil feito palha.

B. disse...

AH-HÁ!!!
=)
Abs,
Mariana.